Superdotação, Asperger (TEA) e Dupla Excepcionalidade por Claudia Hakim

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Nem tudo é Altas Habilidades.




Nem tudo é Altas Habilidades.

E se não for apenas isso?

Nem toda criança curiosa, intensa, agitada ou com linguagem avançada tem um transtorno. Isso é verdade.
Mas a pergunta mais responsável não é negar essa possibilidade e sim refletir: e se estivermos diante de uma criança com TEA, outro transtorno do neurodesenvolvimento ou uma dupla excepcionalidade?

Em nome da cautela com diagnósticos precoces, corremos o risco do outro extremo. Adiar investigações necessárias. Postergar intervenções importantes. Perder janelas valiosas de desenvolvimento que não voltam.

A intervenção precoce não depende de um diagnóstico fechado ou carimbado. Ela depende de sinais, indicativos, acompanhamento e plano de ação. E esse plano pode e deve ser ajustado ao longo do tempo.

O que é mais responsável?
Investigar e acompanhar cedo, mesmo sem um diagnóstico definitivo, ou esperar para ver enquanto o tempo passa?

Nem toda dificuldade é natural da idade.
Nem todo sinal de alerta é apenas mente acelerada.

Crianças com Altas Habilidades podem, sim, apresentar TEA, TDAH, dislexia, TDL, TOD, ansiedade e outras condições associadas. É o que chamamos de dupla excepcionalidade.

Tratar todo alerta como se fosse apenas perfil de Altas Habilidades pode custar caro. Custa acesso a suportes, adaptações, terapias e estratégias que fazem diferença, especialmente na primeira infância.

Investigar cedo não é rotular.
É proteger direitos, oportunidades e desenvolvimento.

Referências científicas e acadêmicas:
Hakim, 2016. Superdotação e Dupla Excepcionalidade. Editora Juruá.
Rzezak, Hakim e Halpern-Chalom. Como lidar com as Altas Habilidades/Superdotação. Editora Hogrefe.
Zoppé et al., Asian Journal of Psychiatry, 2025. DOI: 10.1016/j.ajp.2025.104561
Ehsan et al., Diagnostics, 2025. DOI: 10.3390/diagnostics15151859
Pires, J. F., Dementia & Neuropsychologia, 2024.
Petrini, T., Revista de Psicologia (UNISC), 2025.
Morgan et al., Journal of Pediatrics, 2025.
Pires, Grattão e Gomes. Impact of early intervention on autism prognosis.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Superdotação não dói. O que dói é não ser compreendido.

 




Nem toda criança, adolescente ou adulto superdotado apresenta desajustes emocionais, sociais ou comportamentais.

É fundamental deixar claro:

👉 Superdotação não é doença.
👉 Não é transtorno.
👉 Não possui CID.

Quando surgem dificuldades, elas não decorrem da superdotação em si, mas, na maioria das vezes, estão relacionadas a outros fatores, como:

🔹 superdotação não reconhecida pela escola
🔹 ausência de estímulos adequados
🔹 falta de desenvolvimento socioemocional
🔹 ambientes escolares excludentes
🔹 questões familiares
🔹 traços de personalidade
🔹 ou a presença de uma dupla excepcionalidade (2E) ainda não diagnosticada

A ciência é clara e consistente:
📚 o sofrimento não é uma característica inerente da superdotação
(Neihart; Silverman; Pfeiffer).

Tenho dois filhos superdotados, hoje jovens adultos, além de uma vivência profissional contínua com inúmeros alunos e famílias. Em grande parte desses casos, não há sofrimento ou desajustes, mas sim desenvolvimento saudável, quando as necessidades são corretamente compreendidas e atendidas.

Por isso, quando há sofrimento significativo, o caminho responsável é investigar com mais profundidade.

Nem tudo pode — e nem deve — ser explicado pela superdotação.

📘 Livros de minha autoria:

  • Como lidar com as Altas Habilidades/Superdotação


Rzezak, Hakim e Halpern-Chalom — Editora Hogrefe

  • Superdotação e Dupla Excepcionalidade


Claudia Hakim — Editora Juruá

Conhecimento protege.
Informação liberta.
E diagnóstico correto muda vidas.

📚 Referências científicas (para comentários ou carrossel final):

  • Neihart, M. (2002). The social and emotional development of gifted children.

  • Silverman, L. K. (2013). Giftedness 101.

  • Pfeiffer, S. I. (2015). Essentials of gifted assessment.

  • Renzulli, J. (2016). The three-ring conception of giftedness.

  • Dabrowski, K. (1972). Theory of Positive Disintegration.

Dra. Claudia Hakim
Advogada Especialista em Direito Educacional
Autora | Neurocientista e Pesquisadora em Superdotação e Dupla Excepcionalidade

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Os laudos continuam sendo imprescindíveis para a identificação de superdotados, autistas e pessoas com deficiência?

 



A resposta, do ponto de vista técnico e responsável, é: sim.


Em 2025, fomos surpreendidos pelo Decreto nº 12.686, que instituiu a nova Política Nacional de Educação Especial e delegou às escolas a responsabilidade de identificar alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e pessoas com deficiência, mesmo sem critérios claros definidos no próprio decreto.


Na prática, essa previsão representa uma grande utopia e uma grave irresponsabilidade institucional.


📌 Por quê?

A identificação dessas condições não é competência da escola, mas sim da área da saúde, por meio de profissionais habilitados e avaliações técnicas adequadas. Transferir essa atribuição para as instituições de ensino tende a gerar omissões, erros de identificação e prejuízos reais aos estudantes.


É importante reconhecer que a intenção declarada da norma é nobre: permitir que pessoas sem condições financeiras tenham suas necessidades reconhecidas e atendidas pela escola, mesmo sem acesso a laudos externos.

No entanto, boa intenção não substitui competência técnica e, infelizmente, sabemos que essa lógica não se sustenta na prática.


⚠️ Além disso, o decreto acabou conferindo às escolas um poder excessivo, permitindo que se apropriem de uma prerrogativa que não lhes pertence, o que é extremamente perigoso do ponto de vista jurídico, educacional e ético.


📄 Sobre os laudos

Os laudos quantitativos e qualitativos continuam sendo imprescindíveis como parte do processo sério e responsável de avaliação, inclusive nos casos de Altas Habilidades/Superdotação.

Eles não são meros documentos burocráticos, mas instrumentos fundamentais para garantir identificação correta, intervenções adequadas e proteção de direitos.

🔎 Conclusão

Sem avaliação técnica especializada, não há inclusão verdadeira — há apenas discurso.

E quem paga o preço dessa fragilização são os próprios alunos.


📘 Se você quer compreender melhor os direitos educacionais, as formas corretas de identificação e atendimento, conheça meus e-books sobre o tema.

https://chk.eduzz.com/2384229


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