Nem tudo é Altas Habilidades.
E se não for apenas isso?
Nem toda criança curiosa, intensa, agitada ou com linguagem avançada tem um transtorno. Isso é verdade.
Mas a pergunta mais responsável não é negar essa possibilidade e sim refletir: e se estivermos diante de uma criança com TEA, outro transtorno do neurodesenvolvimento ou uma dupla excepcionalidade?
Em nome da cautela com diagnósticos precoces, corremos o risco do outro extremo. Adiar investigações necessárias. Postergar intervenções importantes. Perder janelas valiosas de desenvolvimento que não voltam.
A intervenção precoce não depende de um diagnóstico fechado ou carimbado. Ela depende de sinais, indicativos, acompanhamento e plano de ação. E esse plano pode e deve ser ajustado ao longo do tempo.
O que é mais responsável?
Investigar e acompanhar cedo, mesmo sem um diagnóstico definitivo, ou esperar para ver enquanto o tempo passa?
Nem toda dificuldade é natural da idade.
Nem todo sinal de alerta é apenas mente acelerada.
Crianças com Altas Habilidades podem, sim, apresentar TEA, TDAH, dislexia, TDL, TOD, ansiedade e outras condições associadas. É o que chamamos de dupla excepcionalidade.
Tratar todo alerta como se fosse apenas perfil de Altas Habilidades pode custar caro. Custa acesso a suportes, adaptações, terapias e estratégias que fazem diferença, especialmente na primeira infância.
Investigar cedo não é rotular.
É proteger direitos, oportunidades e desenvolvimento.
Referências científicas e acadêmicas:
Hakim, 2016. Superdotação e Dupla Excepcionalidade. Editora Juruá.
Rzezak, Hakim e Halpern-Chalom. Como lidar com as Altas Habilidades/Superdotação. Editora Hogrefe.
Zoppé et al., Asian Journal of Psychiatry, 2025. DOI: 10.1016/j.ajp.2025.104561
Ehsan et al., Diagnostics, 2025. DOI: 10.3390/diagnostics15151859
Pires, J. F., Dementia & Neuropsychologia, 2024.
Petrini, T., Revista de Psicologia (UNISC), 2025.
Morgan et al., Journal of Pediatrics, 2025.
Pires, Grattão e Gomes. Impact of early intervention on autism prognosis.

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